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As Tumbas de Atuan - Ursula K. Le Guin

 “As Tumbas de Atuan” é o segundo livro da série EarthSea (O Feiticeiro de Terramar), ambientada em um enorme arquipélago. Não é uma sequência direta do “O Feiticeiro de Terramar”, parece mais um livro companheiro do que um sucessor. 

A história é sobre Tenar, uma jovem que se torna alta sacerdotisa no complexo do templo, nas mesmas Tumbas de Atuan, acreditando ser a reencarnação da alta sacerdotisa que ocupou o cargo desde a própria criação do local pelas outras sacerdotisas. Ela serve nas Tumbas de Atuan, nas profundezas do Império Kargish, um lugar de rotina e ritual. Apesar da importância de seu papel, ela se sente solitária e apática... até o dia em que um mago chega à sua ilha.

Tenar é uma personagem interessante e é uma surpresa saber que ela é a primeira grande protagonista feminina de Le Guin. Tenar é retratada na profundidade tradicional de Le Guin, à medida que conhecemos esta jovem que combina curiosidade, crueldade, solidão e capacidade de liderança. O livro também inverte sua apresentação de Ged, do romance anterior. “O Feiticeiro de Terramar” foi, apesar de todas as suas viagens,  jornadas épicas e cenários poderosos, uma história profundamente interna de um menino descobrindo quem ele realmente era e fazendo as pazes consigo mesmo. “As Tumbas de Atuan”, contada inteiramente a partir do ponto de vista de Tenar, nos permite conhecer e ver Ged como estranhos o veem, externamente, assim, nossa compreensão do personagem principal da série é expandida.

A prosa de Le Guin é poderosa e evocativa e é interessante neste romance que ela inverte o cenário e a sensação do livro anterior. O primeiro livro aconteceu na terra e no mar sob o céu, com o vento soprando no rosto dos personagens e a liberdade ao seu redor, mesmo quando eles foram forçados a um confronto com uma força das trevas que não entendiam. Este ocorre quase inteiramente no subsolo, nossos personagens às vezes literalmente sufocados e quase enterrados sob a terra, em ambientes claustrofóbicos. Le Guin acerta essa atmosfera opressiva e sufocante e a euforia que os personagens experimentam quando finalmente escapam (não é um spoiler, espero, já que este é o livro 2 de uma série de seis livros).

Convido vocês a fazerem essa viagem com Tenar e torcerem para a Editora Morro Branco publicar rapidinho os demais livros da série.




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