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Nós - Ievguêni Zamiátin

 “Nós” é um romance distópico que se passa em sua sociedade totalitária no futuro. Dizem que esse romance foi considerado o criador do gênero de ficção futurística, como “1984”, de George Orwell, e “Admirável Mundo Novo”, de Aldous Huxley. O livro de Ievguêni Zamiátin foi banido pelo departamento de censura na União Soviética, pois foi amplamente visto como uma crítica à utopia comunista.

A história é narrada pelo protagonista, um matemático e engenheiro chefe, chamado de D-503, que descreve uma sociedade futurista do século 29, na qual todos os cidadãos vivem em uma cidade-estado, sob um governo autoritário e o olhar atento de uma força policial secreta, conhecida como “Guardiões”. A sociedade em questão se desenvolveu como resultado da Guerra dos Duzentos Anos, na qual a cidade triunfou sobre o país e se separou do mundo primitivo, criando o Estado único.

 Os habitantes do Estado único vivem numa sociedade planejada, sendo as atividades programadas de acordo com a Tabela de Horas. Amor e casamento foram eliminados, sendo que a única atividade que não está organizada é o ato sexual, que pode ser feito com qualquer outro cidadão, obtendo uma espécie de visto. Todos os cidadãos vivem em apartamentos feitos de vidro, para que possam ser perfeitamente observados, com a exceção de duas horas pessoais por dia.

Tudo ia muito bem, até que o protagonista conhece e se apaixona por uma mulher –  I-330 e começa a fazer um diário, o que é completamente proibido. I-330 começa a mostrar-lhe um mundo diferente. Por essas ações, D-503 começa a perceber que é um todo indivisível dentro de si. Ao se apaixonar, D-503 deixa a esfera social. D-503 descobre, para seu horror, que desenvolveu uma alma.

O livro diz respeito à crise da coletividade, à autoridade incontestável de uma sociedade que vive alienada entre muros. A alienação é tão grande que os habitantes desconhecem o que existe além dos muros.

Zamiátin foi um engenheiro e escritor ex-bolchevique, desiludido com a URSS e que teceu severas críticas ao regime socialista russo, que transparecem em diversos momentos de “Nós”. A edição da Aleph traz uma resenha de “Nós” feita por George Orwell e uma carta escrita pelo autor a Stalin, solicitando exílio voluntário, já que era proibido de publicar seus textos na União Soviética. 

Para quem gosta de distopias, esta é uma obra indispensável.




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