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Jack, O Estripador - Donald Rumbelow



Jack - O Estripador, de Donald Rumbelow, não é um livro de ficção, mas um livro documental. Ele parte da pesquisa de documentos e analisa todas as evidências, submetendo as teorias sobre a identidade e a motivação do famoso assassino a criterioso escrutínio.

O livro é dividido em 04 partes. A primeira parte descreve como era a Cidade de Londres naquela época e principalmente o bairro de Whitechapel. A segunda descreve os assassinatos, a terceira elenca os principais suspeitos e a última parte faz um paralelo de Jack com outros casos famosos.

 Vamos lá?

 Parte 01 - LONDRES PROSCRITA

 Essa rua é no East End. O East End é uma vasta cidade, tão famosa, a sua maneira, quanto qualquer outra que a mão do homem tenha construído. Um lugar chocante, um complexo maligno de cortiços que esconde assustadoras coisas humanas; onde homens e mulheres sujos vivem à base de gim; colarinhos e camisas limpas são decências desconhecidas, todo cidadão tem um olho roxo e ninguém jamais penteia o cabelo.

 Para o vitoriano comum, o East End era uma Londres proscrita. Havia uma sensação de que era separado do resto da metrópole, tanto geográfica quanto espiritual e economicamente.

 Durante grande parte do reinado de Vitória, o East End foi ignorado pela Igreja. Ocasionais declarações de intenções eram feitas em relação às necessidades das "massas não praticantes", mas na prática pouquíssima ajuda era oferecida a elas.

 A maioria das pessoas se amontoavam em uma rede de vielas e becos. Todas essas vielas cheiravam mal, em virtude das pilhas de trapos e lixo e do miasma do esgoto que invadia o porão das casas. Ao fim de cada viela, poderia haver um hidrante solitário, única fonte de água fresca.

 Os cômodos das casas eram alugados para famílias individuais a 8 pennies por noite. Em 1883 relatou-se que, das 1.129 famílias de crianças de 03 escolas distintas, 871 tinham apenas um cômodo para viver e, na maioria dos casos, o número de pessoas dividindo o mesmo cômodo chegada a cinco, e às vezes, nove.

 As janelas quebradas, em geral, eram recobertas com trapos ou papel (raramente eram deixadas descobertas por causa do cheiro do lado de fora e porque os miseráveis que lá viviam se vestiam precariamente e não suportavam o ar frio).

 A população de Whitechapel era de aproximadamente 80 mil pessoas. No East End como um todo, os números chegavam a 900 mil. Na base, estavam os trabalhadores casuais, vagabundos e semicriminosos. Acima deles, os muitos pobres e os pobres (os pobres possuiam de 18 a 21 xelins por semana, e os muito pobres, menos do que isso). A condição da classe mais baixa de todas, que sequer recebeu nome, pode ser imaginada e havia aproximadamente 11 mil pessoas nessa condição.

 As mulheres se vendiam por 2 ou 3 pennies ou por um pedaço de pão velho. Para ilustrar o valor dado a seus corpos, seis ovos poderiam ser comprados por 5 ou 6 pennies. Em Outubro de 1888, a Polícia Metropolitana estimou que houvesse cerca de 1.200 prostitutas, de classe muito baixa, em Whitechapel.

 


 É nessa Whitechapel que ele ficaria conhecido como Jack, o Estripador!

 

 Parte 02 - VÍTIMAS

Mary Ann (também conhecida por Polly Nichols)

 


Mary Ann foi assassinada em 31 de agosto de 1888. Ela nasceu em Agosto de 1945, em Shoe Lane, no fim da Fleet Street. Seu pai, Edward Walker, era ferreiro e seu marido, William Nichols, impressor na Fleet Street. Ela se casara aos 19 anos. Eles tinham cinco filhos; o mais velho (então com 21 anos) morava com o avô e o mais novo (8 ou 9 anos) vivia com ele. O casal havia se separado várias vezes por causa da bebida, mas sempre que ele a aceitava de volta ela se embriagava novamente, e por fim, a ruptura foi definitiva. Em 1882, ele descobriu que ela se prostituía e suspendeu a pensão semanal.

 Não havia motivo aparente para seu assassinato. Uma teoria era de que fora vítima de uma gangue que supostamente aterrorizava e maltratava prostitutas que não cediam parte de seus ganhos. Havia algumas evidências apoiando essa teoria: duas prostitutas já haviam sido mutiladas de maneira similar e assassinadas em um raio de 270 metros a partir do local onde Mary fora encontrada, meses antes dos assassinatos do Estripador.

 A primeira fora Emma Elizabeth Smith, viúva e tinha filho e filha vivendo em algum lugar perto de Finsburry Park. A segunda vítima pré-Estripador fora Martha Tabram, cujo corpo com 39 perfurações e foi encontrada em 07 de agosto de 1888.

 

Annie Chapman, apelidada de Siffey


Ela recebia do marido uma pensão de 10 xelins por semana. Dezoito meses antes, os pagamentos haviam sido interrompidos e fora então que ela soubera que ele havia morrido. Eles tinham 03 filhos e um deles, um menino, possivelmente era deficiente. Os problemas de Annie com a bebida, forçaram o marido a se separar dela. Annie tinha 41 anos.

 Duas coisas estavam faltando no corpo de Annie; os anéis, que não haviam sido encontrados, e o útero, retirado do abdome.

 

Catherine Eddowes (Kate Kelly)


Em seu bolso, havia duas cartelas de penhor, uma delas em nome de Kelly. Seu nome de casada na verdade era Conway, mas durante os últimos 07 anos, vivera com certo John Kelly. Conway a deixara sete ou oito anos por causa da bebida (ele era abstêmio) e ficara com os três filhos, dois meninos e uma menina, Annie.

 Elizabeth Stride (nome de solteira - Elizabeth Gustafsdotter)



A quarta vítima fora a única a ser assassinada na City de Londres e a investigação, ao contrário dos outros assassinatos, estava a cargo dos policiais da City.

 Elizabeth nasceu em 27/11/1943, era filha de um fazendeiro chamado Gustaf Ericsson. Em março de 1965 foi registrada como prostituta pela polícia de Gotemburgo. No mês seguinte, deu à luz uma menina natimorta. Possivelmente a gravidez a forçou a trabalhar nas ruas, como única maneira de garantir seu sustento.

 Em 1869, supõe-se que tenha se casado com John Thomas Stride, carpinteiro que vivia em Sheerness. Alegou que ele, com dois de sues nove filhos, estava entre os mais de 900 afogados do vapor Princess Alice, abalroado e afundado por um navio carvoeiro em Woolwich, em 1878.

 Durante os 03 anos anteriores a sua morte, viveu com um trabalhador das docas chamado Michael Kidney. Durante o período de viveram juntos, chegaram a ficar separados por vários meses. A causa era sempre a mesmas: bebida.

 

Mary Jane ( Mary Ann) Kelly


 


Ela 24 anos e vivia com o companheiro Joseph Barnett até 30 de Outubro, quando tiveram uma violenta discussão, quebrando uma janela no processo.

 Mary foi a única mulher não ser assassinada na rua. Quando foi encontrada em seu quarto, suas roupas estavam cuidadosamente dobradas em uma cadeira. Não havia sinais de luta bem de nenhuma faca.


Parte 03 - DOS PRINCIPAIS SUSPEITOS


M.J.Druitt



O pai de Druitt era o principal cirurgião da cidade, assim como fora seu pai antes dele.

Era um bom esportista. Foi campeão escolar de Fives, um jogo similar ao squash, em 1875 e jogou críquete pela estola no Lord's em 1876. Tornou-se bacharel em 1880. Ele se tornou special pelader (especialista em alegações - Aqui no Brasil, seria um advogado especialista em sustentações orais em Tribunais). No final de 1888 foi demitido. Não se sabe a razão de sua demissão. sugeriu-se que haveria uma explicação envolvendo homossexualidade, mas é igualmente plausível que tenha sido em função de seu comportamento errático, dado que se acreditva que era insano.

 Ele foi visto pela última vez em 03 de Dezembro de 1888. Logo depois, e, provavelmente em estado de depressão aguda após visitar a mãe, encheu os bolsos de pedras e se jogou no Tâmisa. Seu corpo foi encontrado flutuando em 31 de Dezembro.

 Entre muitos estudiosos do caso, Druitt ainda é um favorito como o mais provável candidato a Jack, o Estripador.

 

Aaron Kosminski


Barbeiro hebraico, admitido em 07 de janeiro de 1891. Sofria de mania causada por maus-tratos autoinfligidos. Seu estado físico era bom, seu principal sintoma era a incoerência.

 Seus instintos delirantes levaram a Kosminski a crer que sabia o que todos pensavam e faziam. Eles também o comandavam para não aceitar alimentos de outras pessoas.

 Foi internado diversas vezes em hospícios, sendo que após suas internações tornou-se cada vez mais incoerente e fechado em si mesmo. Faleceu em 1919.

 

Dr. Stanley

Em 1929, Leonard Matters publicou: "O mistério de Jack, o Estripador". Ele afirmou que o livro fora baseado na confissão de leito de morte de um médico inglês chamado Stanley.

 Matters afirma que a carreira do Dr. era um sucesso, Mas sua rápida fama como cirurgião brilhante sofreu um golpe com a morte da esposa quando seu filho tinha apenas alguns dias de vida. Essa tragédia o tornou amargo e o imbuiu de um desprezo duradouro por seus colegas, a cuja incompetência médica atribuía, até certo ponto, a morte da mulher. Aos poucos, tornou-se introspectivo e passou a dedicar toda a sua atenção a Herbert, seu filho.

 O filho, teria conhecido Mary Kelly em 1886 e durante dois anos lutou contra a doença, quando veio a falecer. O Dr. Stanley jurou vingar-se da morte do filho, indo atrás da Mary Kelly.

 

George Chapman (Severin Antoniovich Klosowski)


Nasceu em 14/12/1865 no vilarejo polonês de Nargornak. Foi estudando de cirurgia de 1880 a 1885. Após um breve período de serviço militar, emigrou para a Inglaterra, chegando em 1888. Seu primeiro emprego conhecido foi como assistente de barbeiro em Whitechapel.

 Não se conhece nenhum detalhe sobre a carreira de Chapman nessa época, exceto que coincidiu com os homicídios de Whitechapel.

 Em 1889 casou-se com Lucy Baderski, porém Chapman tinha uma esposa polonesa. Ela foi para Londres e tentou reconquistar seu afeto; durante curto período, as duas dividiram a casa com ele. Finalmente, a sua esposa legal percebeu a futilidade de suas tentativas e partiu. Em 1890 emigraram para os EUA. Em fevereiro de 1891, Lucy o deixou por causa de suas infidelidades e retornou a Inglaterra.

 Os argumentos a favor de Chapman ser o Estripador podem ser assim resumidos: ele estaria trabalhando em Whitechapel na época dos assassinatos; tinha habilidade cirúrgica necessária para cometer os crimes e a descrição do homem que fora visto com a Kelly era uma descrição acurada do próprio Chapman.

 

Dr. Padachenko (Alexander Padachenko)

Ele era russo e barbeiro-cirurgião e às vezes passava por Klosowski, por razões que não são aparentes.

 Era auxiliado por seu amigo chamado Levitski e por uma jovem costureira Winberg. Ela se aproximava da vítima e iniciava uma conversa. Levitski ficava à espreita de patrulhas policiais enquanto ocorriam os crimes e mutilações.

 Para quem afirma ser o Dr. Padachenko o verdadeiro Jack, foi ele que escreveu os cartões postais assinados pelo Jack e enviados para a polícia e a imprensa.

 Alegam que ele era agente russo e que foi enviado a Inglaterra para cometer os assassinatos para demonstrar os defeitos do sistema policial inglês.

 

Dr. Neill Cream.

Sua carreira de incêndios criminosos, chantagens, abortos e homicídios chegou ao fim em 1892, quando foi julgado culpado do assassinato de 04 prostitutas londrinas, envenenadas por estricnina.

 Prejudicial a alegação de ele seria o Jack é o fato de que, entre Novembro de 1881 e julho de 1891, ele cumpriu prisão por assassinato nos EUA.

 

Duque de Clarence



Alguns autores argumentam que ele seria o assassino em série conhecido como Jack, o Estripador. Entretanto, documentos da época mostram que Alberto não se encontrava em Londres à época dos assassinatos, de forma que tal teoria foi amplamente rejeitada.

O livro ainda elenca outros possíveis suspeitos como Lewis Carrol (autor de Alice no país das Maravilhas), o namorado de Oscar Wilde (George Francis Miles), o Lorde Randolph Churchill (pai de Winston Churchill), entre outros.

 Na última parte, o autor faz um paralelo do Jack como outros casos famosos, como o do Estripador de Düsseldort e do Estripador de Yorkhire, na tentativa de esclarecer as razões para as atrocidades cometidas na Londres vitoriana.

 O que mais gostei desde livro foi a análise sobre a investigação, caindo por terra a ideia de que o Jack tenha cometido os crimes perfeitos. O que li foi uma sucessão de erros da polícia ao investigar os casos, a disputa de alguns chefes da polícia em ganhar notoriedade e o desinteresse em solucionar os crimes, já que Whitechapel era um bairro extremamente pobre e habitado por pessoas cujas vidas importavam muito pouco à sociedade da época.

Recomendo o livro. 



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