O livro é narrado sob a
ótica de Bentinho, que faz um panorama da sua vida, desde e infância até o
momento em que se torna o Dom
Casmurro. Bentinho é atormentado com a promessa da mãe de dar o
filho único ao sacerdócio.
Capitu (Capitolina) é
vizinha de Bento, e os dois são amigos bem próximos e de longa data e desde
que a garota aparece no livro, já se sabe que ela será o interesse amoroso de
Bentinho, fato que, obviamente, se concretiza depois.
Como promessa é coisa levada
a sério. Bentinho vai para o seminário, deixando para trás uma paixão recém
aflorada pela amiga Capitu, que jura esperar pela sua saída para se casarem.
Determinada a não se separar do namorado, Capitu engendra vários
planos para que Bentinho não vá para o seminário, aos quais ele obedece de
forma submissa.
Desde esta fase da narrativa é apontado um caráter perigoso na
personagem, são descritos os seus "olhos de ressaca", "de cigana
oblíqua e dissimulada":
Capitu, aos quatorze anos, tinha já ideias atrevidas, muito
menos que outras que lhe vieram depois.
Assim, desde o início do relacionamento, o leitor é levado a
suspeitar dos atos de Capitu, mesmo assistindo à narração de uma história de
amor na qual ela parece rendida, apaixonada, disposta a tudo para ficar com o
homem que ama e fazê-lo feliz.
Bentinho narra alguns
momentos vividos no seminário ao lado do amigo Escobar e também as visitas a
Capitu, a mãe e ao José Dias, que agora tem a missão de tirar Bentinho do
seminário, o que ao final acontece. Bentinho entra para a faculdade de Direito,
retorna a casa da mãe e se casa com Capitu.
Seu amigo Escobar casa-se com uma amiga do colégio de Capitu, Sancha, e com ela tem uma filha: Capitolina.
Durante muito tempo os casais saiam juntos e Capitu finalmente
fica grávida. Decidem colocar o mesmo nome do amigo na criança em homenagem a
ele.
Com a chegada do filho do casal, o pequeno Ezequiel, Bento
começa a desconfiar de sua esposa. Isso porque seu filho é muito parecido
fisicamente com seu grande amigo Escobar.
Apesar do seu comportamento muitas vezes controlador e de viver
em função de Capitu, Bentinho sente uma súbita atração por Sancha, que parece
ser correspondida: “A mão dela apertou muito a minha, e demorou-se mais que de
costume”.
Mesmo ficando impactado pelo momento que partilham (“os olhos
que trocámos”), o narrador não cede à tentação por respeito à amizade com
Escobar (“rejeitei a figura da mulher de meu amigo, e chamei-me desleal”).
O episódio parece passar despercebido na narrativa, mas pode ser
encarado como um indício de que a proximidade entre os casais era propícia para
uma situação de adultério.
Num dos momentos da trama, seu grande amigo Ezequiel , que tinha
o costume de nadar no mar todos os dias, morre
afogado. No velório, Bentinho percebe, através do olhar de Capitu, que ela
estava apaixonada pelo seu amigo. A partir daí, fica obcecado com a ideia,
reparando cada vez mais em semelhanças entre Ezequiel (seu filho) e Escobar (seu amigo).
Bentinho permanece com a dúvida da traição de Capitu, o que gera
diversas discussões entre eles.
Num momento de fúria e confusão, ele tenta matar a criança, mas
por fim, Capitu entra na sala. Entretanto, Bentinho chega a dizer para o
pequeno Ezequiel que ele não é seu pai.
Por fim, eles se separam e Bentinho vai para a Europa. De volta
ao Brasil, torna-se cada vez mais amargurado e nostálgico por sua vida.
Capitu, por sua vez, acaba por falecer no exterior. Após a morte
da mãe, o filho tenta uma reaproximação com seu pai, que o rejeita novamente.
Por fim, o filho do casal morre de febre tifoide numa expedição
em Jerusalém. Bento constrói uma casa na antiga rua que vivia quando era
criança e relembra dos momentos de sua vida.
Machado
de Assis leva a uma leitura muito envolvente, emocionante e fascinante, permeando
muito bem as personalidades de cada um dos personagens, a escrita pode parecer
um tanto complicada devido a época que o romance foi escrito, mas dá para
compreender e se apaixonar pela história.
E continua a dúvida: Traiu ou não traiu?

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